O direito à diferença

Rita Gonçalves 12º - H

Há já algum tempo que temos vindo a ser constantemente invadidos pelo canal de televisão SIC, por perguntas cujas respostas são tão lineares quanto um sim ou um não. Pus-me a pensar sobre estas perguntas e lembrei-me daquela que me levou a julgar aqueles debates como inúteis e acima de tudo ridículos. Não me lembro da pergunta exactamente como foi formulada, mas era qualquer coisa como isto: "Devem ou não ser legalizados os casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo?". A minha reacção foi de completo espanto, que se agravou ao constatar que a maioria das pessoas tinha respondido negativamente. Espanto?!!! Não. Acho que fiquei desapontada com as pessoas. O mesmo desapontamento que já me anda a perseguir há algum tempo, fez-se de novo sentir. O desapontar com o mundo em que vivemos, e especialmente com as pessoas que nele habitam. Pessoas cujos valores são completamente antagónicos em relação aos valores em que acredito e pelos quais me rejo. Senti novamente que o mundo no qual julgava viver, não é aquele em que vivo, e sem me aperceber comecei a questionar-me o que é que nós (heterossexuais) , temos a mais para nos podermos casar, que os homossexuais não têm?!!! O que eu sempre julguei e acreditei era que o casamento era uma união entre duas pessoas que se amavam, nunca nem sequer me passou pela cabeça que o sexo das pessoas tinha alguma coisa a ver. Por vezes, quando expresso a minha opinião a favor, as pessoas refutam-me dizendo que a homossexualidade é "contra-natura", pois o natural é que um homem e uma mulher se casem e tenham filhos, e as relações dos homossexuais nunca poderão gerar uma criança. E ainda acham que é uma imoralidade e que o Estado não deveria permitir que tal acontecesse. Mas mais uma vez me questionei e cheguei à conclusão que a maioria das pessoas não se casam para ter filhos e quando têm relações sexuais têm-nas para obter prazer, e não para que tenham filhos. Se as pessoas chegam ao cúmulo de abortar filhos, é porque as relações sexuais não são só para gerar filhos e aqui apercebemo-nos que os homossexuais estão em pé de igualdade com os heterossexuais: Quando os casais heterossexuais têm relações sexuais, por vezes, é somente para terem prazer.

E quando digo que sou a favor de uma família homossexual adoptar crianças, aí o mundo cai-me em cima: "Isso já é demais" - Dizem uns; "Esses maricas lá iam saber educar uma criança"- Dizem outros; "O mundo ia estar completamente perdido se tal fosse permitido"- Dizem ainda outros. Reflicto mais uma vez. Penso em todas as crianças que têm uma família heterossexual, com um pai e uma mãe, e que são espancadas, violadas, que não são amadas e que não são de todo bem educadas pelos pais. Penso também, naquelas crianças que têm a rua como lar, ou ainda aquelas que habitam orfanatos, sem nunca terem conhecido o amor de uma família, seja ela hetero ou homossexual. E cheguei à conclusão de que uma família homossexual não só tem o direito de adoptar uma criança, como deve começar a fazê-lo o mais rápido possível, para que não aumente o número de crianças que não são amadas nem criadas por famílias verdadeiras. Contudo, rendo-me quando me dizem que essas crianças iam ser estigmatizadas. E aí mais uma vez me desaponto: quando chego aos 17 aos e concluo que não tenho o poder que julgava ter, de mudar o mundo. Nunca iria conseguir fazer com que uma criança filha de pais homossexuais não fosse discriminada. Contudo cá fico à espera do milagre da igualdade de direitos entre aqueles que devem ter direitos iguais.

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