| Conversas ao fim da tarde |
O conjunto de sessões, previstas para estes encontros, começou pela Literatura Africana de Expressão Portuguesa e pela vida e obra de Mia Couto.
A criação literária deste autor baseia-se na exploração de arquétipos do povo moçambicano, especificamente no ideário mitologico-simbólico. De facto, à escrita de Mia Couto subjaz uma sociedade ancestral, com intensas relações de carácter sagrado, em que o simbolismo mítico e religioso veicula um eventual sentido explicativo: as "estórias" de Mia Couto restabelecem essa relação com as raízes atemporais e com a mundividência do inconsciente colectivo.
Os contos incluídos em Cada Homem é uma raça (obra sugerida pelo programa de Português -Secundário- fundem-se, por um lado, no confronto das personagens com o caos, com a lógica paradoxal e alheia à sua própria, reflectindo, por outro, o confronto entre uma sociedade milenária em conflito consigo mesma.
Inquirido sobre a sua raça, respondeu:
- A minha raça sou eu, João Passarinheiro.
Convidado a explicar-se, acrescentou:
- Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia."
Fica aqui a sugestão de leitura.
Ana Albuquerque