O peso
Acordamos de manhã e preparamo-nos para a escola vamos para a paragem apanhamos a camioneta (que para ajudar nem sempre vem a horas ou com espaço suficiente) para quem necessita dessa mesma e então tudo começa. Um velho jarreta p'raí com 60 anos - daqueles que só acordam ás 7 da manhã para irem ajudar o dono da tasca a abri-la para verem se ganham um copito de vinho - dá-me um empurrão e diz:
- Estes jovens com estas mochilas, quase arrancam o braço a uma pessoa!
Eu, afastando-me do velho, resmungando comigo mesmo, pensei: o homem até tem razão, mas se o ministério se preocupasse mais com o bem estar de quem utiliza os transportes públicos em vez de andar a passear por colégios particulares ou dizer que a juventude está perdida, devia pensar em colocar alguns cacifos nas escolas para os alunos não terem de andar diariamente com mais de 5kg em livros e cadernos que raramente são utilizados mas que a escola nos obriga a comprar todos os anos ( além dos que ainda se vão lembrando durante o ano lectivo).
O dinheiro que se gasta é absurdo e é uma das razões que leva muitos alunos, sem posses, a deixarem a escola para irem trabalhar. Se o ministério quer aumentar a população escolar, devia começar por diminuir um pouco esses preços porque assim não há carteira que o aguente!
Se não o podem evitar, ao menos com esse dinheiro todo
(e outro mais que sempre há) podiam comprar a porcaria
de uns cacifos nem que fosse só para deixarmos os livros
mais pesados na escola!
Ricardo Jorge Melo Jóia