Museu da Cidade

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Almada de antes e de agora

Poucos meses de existência tem ainda o Museu da Cidade, o último espaço museológico a abrir portas em Almada. Para que se possa ter uma perspectiva mais correcta do que se pode ver e do que está programado para os próximos meses, o Mar da Palha, conversou com Ângela Luzia, uma das responsáveis do museu.

Mar da Palha - Museu da Cidade porquê?
Ângela Luzia - Existem vários tipos de museu (da indústria, de cera, de arte, por exemplo o da Casa da Cerca). A Câmara de Almada achou que era importante mostrar o que é uma cidade, queríamos explicar como Almada se tornou uma cidade. As cidades, hoje em dia, são cada vez mais objectos de estudo e por isso achamos que era realmente importante este museu.

MP - Quais são os tipos de materiais em exposição?
AL- Todo o tipo de materiais, tudo o que tem a ver com a cidade: imagens, fotos, maquetas de obras ou de partes da cidade que possam estar em modificação; peças ou objectos relacionados com transportes, as companhias de água, luz, etc. (carros de bombeiros, contadores de água, entre outros) são peças que podem ser encontradas em maqueta ou exposição. Em resumo, tudo o que mudou até hoje são peças de museu importantes.

MP - De que modo o Museu irá melhorar a cidade de Almada?
AL - Directamente não irá melhorar muito, os museus como este são considerados espaços de lazer. O nosso museu tem uma função muito importante, que é dar a conhecer às pessoas a cidade onde vivem e a sua história, torná-las orgulhosas do sítio onde vivem. É importante preservar a sua memória e experiência cultural. É deste modo que o museu irá melhorar a cidade, queremos fazer com que as pessoas que nela vivem se sintam orgulhosas e bem.

MP - O material exposto data até que época?
AL- Há uma colecção sobre a historia do núcleo naval (Olho de Boi), mas o nosso material envolve principalmente peças do século XX, já que
Almada se tornou cidade há pouco tempo.

MP - Houve material de alguma época em especial que tenha sido mais difícil de encontrar?
AL- Não, de determinada época não, antes o referente a algumas técnicas de trabalho... Andámos à "cata" de objectos mais antigos, pois as pessoas acham que este tipo de objectos têm pouco valor histórico. Mas também, por outro lado, queremos guardar essas peças para mais tarde as podermos mostrar e assim serem valorizadas, vão servir para que se veja a nossa vida actual. Queremos peças como medidas das mercearias antigas, azulejos, as secretárias antigas de madeira, ainda com sitio para os tinteiros, que existiam nas escolas, etc.

MP - Porque é que o Museu só foi construído agora?
AL- Só foi construído agora porque museus, bibliotecas, centros culturais, etc. são empreendimentos muito caros e que, por isso, necessitam que se disponibilize uma grande verba. Só que, no inicio, este tipo de obras não causam grande impacto e por isso não realizam muito dinheiro (apesar da cobrança de bilhetes isso não sustenta o museu). Estes sítios necessitam também de muita gente. Com horários alargados e grandes espaços tem que haver uma grande organização. Este espaço foi-nos disponibilizado em 1997. O museu não foi construído logo pois tinha de se fazer o projecto e arranjar verba.

MP - Pensa que o facto de ser construído um museu demonstra que Almada está a evoluir?
AL - Um equipamento cultural não tem grande impacto logo de início, mas achamos que ao construir museus que estamos a evoluir, pois demonstra que já começa a haver outro tipo de preocupações para além das mais quotidianas. Não só das pessoas mas também dos políticos, etc.

MP - Como tem sido a adesão da população a este espaço?
AL - Não temos muitos elementos de referência para podermos comparar, mas acho que a adesão está a ser boa, estamos, até agora, com cerca de 5000 visitantes. Temos tido trabalhos muito interessantes com as escolas (de todas as idades, desde os da pré-primaria até aos da faculdade), que têm gostado muito. Estamos com cerca de 800 visitantes por mês.

MP - Pode-se esperar que o museu venha a ser um local privilegiado, para os passeios dos almadenses?
AL - Temos uma exposição fixa até 2006, pois achamos que esta aguenta até lá, a partir daí vamos alterando as peças pois as coisas também vão mudando e as pessoas começam a procurar novas coisas (nós funcionamos como museu, mas também como centro de pesquisa). Vamos fazer algumas exposições temporárias (de três em três meses). Vamos tentar com isto mostrar tudo o que temos. Assim esperamos que as pessoas adiram e vejam tudo o que temos para mostrar.

MP - De quem foi a ideia inicial do projecto?
AL - Da câmara e não só, pois este empreendimento era uma necessidade que se sentia, já que os museus existentes não explicavam a cidade. Mas quem teve a ideia logo de início foi mesmo a Srª. Presidente da Câmara.

MP - Quais são os projectos para o museu?
AL - Teremos uma exposição regular e temporária de três em três meses, que poderá não ser feita só por nós mas também por investigadores, associações, etc..
O nosso programa para os próximos meses será: de Junho a Outubro, comemoração do 25 de Abril, festas da cidade e a exposição "Dar Asas ao Sonho"; de Outubro/Novembro até Janeiro/Fevereiro teremos "Educação em Almada"; em Abril de 2005, será a vez de "Questões do movimento associativo".
Vamos também intervir em férias para jovens, na preparação para os anos lectivos e na constituição do arquivo de história oral (centro de documentação do museu).

MP – Vai, de alguma maneira, o museu trabalhar e fazer projectos com as escolas?
AL - Nós fomos a algumas escolas mostrar e falar dos temas que estavam a estudar e ajudá-los em tudo o que nos era possível. Queríamos também que as escolas nos dessem sugestões (estamos abertos a qualquer tipo de ideias) e que viessem cá, tal como nós vamos às escolas.

Entrevista de Carina Quaresma e Sara Gouveia
Foto @ Museu da Cidade e Anabela Luís